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Impacto do El Niño deve ser monitorado por previsões de curto prazo, explica professor da UPF

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Chuvas intensas, inundações e impactos na agricultura. Essas são algumas consequências do fenômeno de aquecimento das águas do Oceano Pacífico, conhecido como El Niño, na região sul do Brasil. No dia 11 de junho, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (Noaa) confirmou que o planeta já está sob um El Niño fraco, que pode atingir as classificações “forte” ou “muito forte” entre outubro e novembro. A notícia levanta preocupações sobre a possibilidade de novos eventos climáticos extremos, como os que aconteceram no Rio Grande do Sul em maio de 2024.

SUPER EL NIÑO EM 2026?

O El Niño acontece quando as águas da superfície do Oceano Pacífico sobem a temperaturas a partir de 0,7 ºC acima do normal. Em 2026, especialistas apontam que o fenômeno deve se intensificar durante o inverno, causando o que tem sido chamado informalmente de super El Niño. “Alguns modelos apontam que a temperatura do oceano deve subir 2 ºC acima da média, podendo passar até dos 3 ºC de aquecimento, indicando a possibilidade de um evento muito intenso”, explica o professor de climatologia da Universidade de Passo Fundo (UPF), Samuel Kovaleski.

O El Niño provoca alterações nas correntes marítimas, ventos e distribuição de umidade em todo o planeta. Conforme descreve o professor, no sul do Brasil, o fenômeno se manifesta com um aumento da intensidade do regime pluviométrico. “A tendência é que ocorram chuvas acima da média, principalmente nos meses de primavera e no ano seguinte, até meados do outono”, pontua o professor.

Os órgãos de monitoramento classificam a intensidade do fenômeno em quatro categorias: fraco, moderado, forte e muito forte, que ocorre quando a superfície do mar fica 2 graus acima da média. “Alguns modelos têm projetado uma temperatura próxima a 3 graus acima do normal. “No pico do fenômeno, a partir de outubro e novembro, existe mais de 60% de probabilidade de ele ser classificado como um evento forte”, acrescenta Kovaleski

RELAÇÃO ENTRE O EL NIÑO E AS ENCHENTES

Apesar de estar relacionado com chuvas acima da média, o professor ressalta um fato importante: nem sempre um El Niño forte ou muito forte irá impactar o clima nessa mesma proporção. “Isso quer dizer apenas que existe a possibilidade que o clima seja alterado, mas há muitas outras variáveis que influenciam o clima”. Ou seja: ainda é cedo para afirmar se enchentes como as que aconteceram no estado em 2024 voltarão a ocorrer este ano devido ao El Niño. “Para medir o real impacto e onde esse impacto irá ocorrer, é preciso consultar previsões de curto prazo, que são previsões de aproximadamente dez a 20 dias”, completa.

COMO SE PREPARAR

O professor é enfático ao afirmar que o mais importante é estar atento aos comunicados dos órgãos oficiais, como Inmet, Cemaden e Defesa Civil. “São esses órgãos que vêm acompanhando o fenômeno e caso as previsões se confirmem, eles emitem alertas com orientações para a população. Essas orientações sempre devem ser seguidas”, afirma.

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