08, mar, 2026
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Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro) completa cinco anos com mais de 100 estações próprias

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Quando foi criado, em 20 de julho de 2020, o Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) tinha uma meta: possuir 100 estações meteorológicas próprias, do governo do Rio Grande do Sul, que abrangessem todo o território gaúcho. Cinco anos depois, a meta foi ultrapassada. Hoje, são 102 estações. “Ele é um sistema, um órgão consolidado no escopo do agronegócio. Uma rede robusta de coleta de dados”, afirma com satisfação o coordenador do Simagro e meteorologista Flávio Varone. A sede fica no Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Sistemas Integrados e Meteorologia Aplicada (Cesimet), vinculado ao Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Seapi, em Hulha Negra.

“Atualmente, nós geramos produtos específicos para o setor do agronegócio, mas também produtos para a comunidade em geral, como previsão do tempo, possibilidade de chuvas fortes, que podem ser utilizados para as mais diversas vertentes, como na economia e no vestuário”, explica Varone. “Hoje você pode utilizar as informações de Simagro para diversas áreas”, garante.

Segundo Varone, o que o moveu a fazer o projeto do Simagro foi o fato de o Rio Grande Sul não ter um sistema próprio de estações meteorológicas, de coleta de dados, de desenvolvimento de produtos meteorológicos. “O Estado não tinha um centro específico para gerar informações regionalizadas. Isso me motivou no início”, conta o meteorologista. “Desde que entrei na Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária, a extinta Fepagro, em 2011, sempre tentei colocar esse projeto em andamento, o que só foi possível em 2020, com a instalação de 20 estações, que geraram os primeiros produtos. A primeira foi instalada em Pinheiro Machado”, relembra.

Varone destaca que o primeiro índice gerado foi o de aplicação do herbicida 2,4-D, quando foi feita a previsão horária de até cinco dias. “O produtor podia se organizar para fazer aplicação nos melhores horários com as condições meteorológicas favoráveis”, relata.

“Depois foi aumentando essa gama de índices. Hoje temos índice para ocorrência de ferrugem asiática na soja; índice de conforto térmico animal; chill index para ovinos; índice de produtividade para as culturas da soja, trigo, arroz, feijão e milho; probabilidade de ocorrência de geadas; índice de incêndio que, em época de estiagem, projeta as áreas com possibilidade de incêndio no Rio Grande do Sul, entre vários outros. O que é de extrema importância para dar suporte ao segmento agropecuário do Estado. Todas essas informações podem ser conferidas no site simagro.rs.gov.br. E, em breve, estarão disponíveis também em um aplicativo”, adianta Varone.

De acordo com o meteorologista, nos últimos três anos o Simagro recebeu recursos do programa Avançar na Agricultura, do governo do Estado. “A partir daí o Sistema foi consolidado e instalamos o restante das estações, chegando, em 2025, a 98 instaladas pelo Simagro, mais quatro que são do Alerta Videiras, uma parceria com o Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis), totalizando 102 estações instaladas”.

Varone acrescenta que ainda há a previsão de instalação de mais duas estações do Simagro. “E, no ano que vem, provavelmente, deveremos receber outras vinculadas a projetos de outras instituições parceiras que vão aumentar ainda mais a densidade dessa nossa rede de captação de dados meteorológicos”, acredita.

Uma das 102 estações está na propriedade da empresa Vimaer Aviação Agrícola Ltda, em Itaqui, desde 2020. O sócio-administrador e piloto agrícola Valdinei Silva de Paula conta que, a partir da instalação, passaram a ter mais subsídios nas questões meteorológicas. “Isso propicia tomadas de decisões mais assertivas em relação à programação de nossas aplicações, tanto no dia em questão como nos trabalhos dos dias seguintes. Ficamos sabendo da possibilidade ou não de chuvas, direção e velocidade dos ventos, temperatura ambiente, umidade relativa do ar, enfim, os parâmetros básicos que norteiam a decisão de realizar uma operação ou aguardar uma melhor condição”, explica De Paula.

A Vimaer, fundada em 2010, presta serviços agrícolas em dois municípios da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sulo: Itaqui e Maçambará. “Fazemos pulverização aérea de herbicidas, inseticidas, fungicidas, acaricidas, adubo foliar e fertilizantes líquidos. Aplicações aéreas de ureia granulada, adubo e cloreto, além de semeaduras aéreas de azevém, aveia, trevo, cornichão e arroz”, detalha De Paula.

PRÓXIMOS PASSOS

Para um futuro próximo, a ideia é consolidar o Simagro como um órgão de pesquisa de aplicação das condições meteorológicas, de clima e tempo no setor agropecuário. É o que espera Varone. “Aqui no Cesimet, queremos gerar novos índices, existem vários ainda, de diversas culturas, além da parte de pecuária também para serem desenvolvidos”, adianta. “Já desejamos começar grandes parcerias com outras instituições para alcançar esse objetivo”.

SOBRE O SIMAGRO

O Simagro-RS visa ao monitoramento climático no Rio Grande do Sul, com a elaboração de produtos e informações para viabilizar o planejamento e atuar como suporte para medidas de curto, médio e longo prazo no setor agropecuário do Estado.

As estações meteorológicas automáticas instaladas para adensamento da rede de sensores existente no Estado são utilizadas no monitoramento climático e no uso correto de produtos fitossanitários. O Simagro-RS também conta com modelos de tempo e clima, onde são gerados produtos agrometeorológicos para todos os 497 municípios do Rio Grande do Sul.

O Sistema disponibiliza os produtos gerados pelo modelo meteorológico com resolução de 25 quilômetros, que proporciona previsões para um cenário de até 15 dias. O modelo regional anterior, com resolução de 3 quilômetros e previsão de índices agroclimáticos para um horizonte para cinco dias, está sendo substituído por um de 1 quilômetro para sete dias.

O projeto tem a finalidade de estabelecer uma relação de proximidade com o setor agropecuário do Rio Grande do Sul, onde a Seapi fornece a estação, e o produtor entra com uma estrutura para fixação do equipamento e internet para envio dos dados coletados. O produtor/parceiro acessa os dados da sua propriedade num aplicativo gratuito, e as informações de todas as estações são disponibilizadas no site simagro.rs.gov.br.

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