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Desenvolvimento das pastagens cultivadas no RS apresenta melhora gradual

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Chuvas, geada e baixa luminosidade afetaram os campos nativos em parte do Rio Grande do Sul, diminuindo a disponibilidade e o valor nutritivo das forrageiras. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (23), na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Pelotas observa-se redução significativa de oferta de pasto, o que compromete a capacidade de suporte das áreas.

Já o desenvolvimento das pastagens cultivadas de inverno nas diversas regiões do Estado apresenta melhora gradual, favorecido pelo predomínio de tempo firme e pelo aumento da radiação solar em períodos anteriores. Entretanto, o crescimento das forrageiras ainda está desigual entre as regiões, devido à baixa luminosidade, ao atraso na implantação das lavouras e ao retorno das chuvas intensas, com encharcamento dos solos e dos potreiros.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as chuvas voltaram a encharcar os potreiros, afetando a taxa de crescimento das forrageiras e aumentando o risco de degradação por pisoteio, principalmente em áreas com maior lotação e preparo convencional do solo. Na região de Santa Maria, as chuvas intensas no final do período provocaram o encharcamento das áreas de pastagem.

BOVINOCULTURA DE CORTE

No Estado, a bovinocultura de corte apresentou desempenho variável conforme a disponibilidade de forragem. Os rebanhos mantidos em pastagens cultivadas registraram melhora no ganho de peso e na condição corporal. Já os criados em campo nativo seguiram com restrições nutricionais e maior necessidade de suplementação. A atividade se encontra em período de parições e de preparação das matrizes para a estação reprodutiva.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Maria, os animais ganharam peso, e as vacas de cria recuperaram o escore corporal. As chuvas intensas no final do período voltaram a provocar acúmulo de barro, dificultando o pastejo em algumas áreas. Na região de Santa Rosa, em algumas propriedades, continua o fornecimento de cana-de-açúcar para auxiliar na manutenção do escore corporal dos animais. O mercado está estável, com pouca movimentação de negociações como reflexo da menor oferta de animais para venda, já que muitos produtores aguardam maior ganho de peso nas pastagens de inverno.

BOVINOCULTURA DE LEITE

A produção de leite está estável na maior parte das regiões, sustentada pela suplementação com silagem, feno e concentrados e pela melhoria gradual das pastagens cultivadas. Os rebanhos apresentam bom escore corporal e condições satisfatórias de bem-estar na maioria das propriedades. Contudo, em algumas regiões, o excesso de umidade dificultou o manejo, reduziu o consumo de forragem em sistemas a pasto e favoreceu a ocorrência de mastite e de problemas de casco.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Porto Alegre, a suplementação com silagem de milho e ração tem beneficiado o estado corporal, apesar do atraso no desenvolvimento das pastagens de azevém. A produção de leite está estável. Em relação ao aspecto sanitário, persistem os casos de mastite em decorrência do excesso de chuvas e da formação de barro nos piquetes, que dificultam o manejo. Na região de Santa Maria, as fortes chuvas provocaram acúmulo de barro em corredores, áreas de descanso e de espera, dificultando a higiene dos animais e da ordenha e favorecendo problemas de casco, locomoção e controle de agentes patogênicos. Em alguns municípios, como Tupanciretã, as chuvas prejudicaram o recolhimento do leite.

SAFRA DE INVERNO

Canola – A cultura da canola se desenvolve de maneira adequada no Rio Grande do Sul. As condições fitossanitárias estão adequadas. Porém, há preocupação com a previsão de altos volumes de chuva, que podem causar danos às lavouras. A maioria das áreas está em desenvolvimento vegetativo, e o restante em floração. A semeadura da canola está concluída na região de Santa Rosa, onde estão implantados 21% dos 353.397 hectares previstos para esta safra no Estado. As lavouras seguem com bom desenvolvimento, com 72% das áreas em germinação e desenvolvimento vegetativo, 25% em floração, e 2% na fase de enchimento de grãos.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, que representa 24% da área de canola no Estado, as lavouras apresentam bom desenvolvimento, evoluindo rapidamente para o estádio de floração (18%). Já se observa intensa atividade de insetos polinizadores nas áreas, especialmente de abelhas melíferas. Em Ibirubá, foi constatado aumento de incidência da doença conhecida como canela-preta. Em função desse cenário, os produtores têm aplicado fungicidas específicos para controlar a evolução da doença. Nas lavouras mais próximas de Ijuí, não foram identificados sintomas dessa doença.

Trigo – O plantio de trigo se aproxima do final no Estado, chegando a 97% da área, projetada em 814.220 hectares. Restam por plantar as regiões Central, Sul e Leste. No geral, as condições climáticas de maior incidência de radiação solar beneficiaram as operações de plantio e o desenvolvimento dos cultivos, além da realização de adubação em cobertura e dos tratamentos fitossanitários. No final do período, as chuvas e ventos trouxeram preocupação aos produtores devido aos possíveis danos à cultura.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, onde se encontram 28% da área de trigo no Estado, a semeadura foi concluída, e há boa densidade inicial de plantas. A cultura está em estágio de desenvolvimento vegetativo, e aproximados 15% em alongamento do colmo. Na de Santa Rosa, onde estão cultivados 22% da área de trigo do Estado, todas as lavouras estão semeadas, em desenvolvimento vegetativo com condições e estabelecimento satisfatórios. Está 1% das lavouras em florescimento. Há áreas em perfilhamento, alongamento e espigamento. A ocorrência de chuva beneficiou a aplicação de adubação nitrogenada em cobertura em alguns cultivos. Os demais devem receber nos próximos dias, assim que as condições de umidade forem favoráveis. No período, o vento impossibilitou a execução de tratamentos fitossanitários, necessários em muitas áreas para o controle de doenças. Muitas áreas apresentam amarelecimento de folhas baixeiras e doenças foliares.

Carinata – Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, 50% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, e 50% em início de florescimento. As condições climáticas do período favoreceram a evolução dos cultivos, mantendo o ritmo de crescimento e o potencial produtivo. Na de Santa Maria, em Tupanciretã, os produtores deram continuidade à aplicação de adubação em cobertura e ao controle de ervas daninhas. O desenvolvimento da cultura está dentro do esperado, com boa sanidade. Já na região de Pelotas, as atividades de semeadura da carinata foram paralisadas no final do período, devido ao excesso de umidade no solo, causado pelas chuvas. Nas lavouras já semeadas, as plantas apresentam bom desenvolvimento, considerado normal para a época. Estão 100% das áreas em desenvolvimento vegetativo. Na região de Erechim, em Quatro Irmãos, foram implantados 600 hectares com carinata, representando a maior área da região. Predomina o estado vegetativo dos cultivos, com 25% em floração.

Aveia-branca – O plantio de aveia-branca está finalizado no Estado. As lavouras apresentam bom estabelecimento e desenvolvimento vegetativo. De maneira geral, a condição fitossanitária está satisfatória, sem ocorrência relevante de pragas ou doenças. Os produtores realizam os tratos culturais de rotina, especialmente a adubação nitrogenada de cobertura, o controle de plantas daninhas e o monitoramento preventivo de doenças foliares. A estimativa de plantio é de 387.697 hectares, e a produtividade média estadual projetada de 2.322 kg/ha.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, em Hulha Negra, mesmo em lavouras implantadas sob plantio direto e com boa quantidade de palhada, as plantas de aveia foram impactadas pelas fortes chuvas, especialmente na madrugada de 20/07 (segunda-feira), quando um grande volume de precipitação ocorreu em curto período. Nas áreas de maior declividade, foram observados pontos de acamamento de plantas e formação de sulcos, além de perda de solo em razão do processo erosivo. Na Fronteira Oeste, em Maçambará, as chuvas moderadas mantiveram o bom potencial produtivo dos 1.044 hectares cultivados, que ainda se encontram em fase vegetativa.

Na região de Soledade, as lavouras de aveia-branca estão bem estabelecidas, com bom estande de plantas e sanidade. O controle de plantas invasoras está em fase final, e as doenças foliares seguem sendo monitoradas e controladas, especialmente as manchas foliares, que são favorecidas pela elevada umidade relativa do ar, condição comum nesta época do ano. Algumas áreas semeadas mais cedo iniciaram o florescimento.

Cevada – O plantio de cevada está finalizado no Estado, com o cultivo de 20.320 hectares para esta safra. As lavouras apresentam bom estabelecimento e estandes uniformes. Predomina a fase de desenvolvimento vegetativo inicial. A condição fitossanitária está satisfatória, mas os produtores intensificam o monitoramento e iniciam os manejos preventivos, sobretudo em razão das condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento de doenças fúngicas foliares.

OLERÍCOLAS E FRUTÍCOLAS

Na região de Pelotas, houve boa precipitação, o que causou dificuldade para realizar preparo do solo e canteiros e transplante das mudas. O pegamento e desenvolvimento das mudas foi satisfatório. Para a grande parte das hortaliças, manteve-se os valores de comercialização. Foi encerrada a colheita de pimentão, tomate e milho-verde.

Na região de Santa Rosa, as temperaturas mais elevadas garantiram melhora das condições das olerícolas, com aumento da oferta de folhosas para colheita e também o retorno do desenvolvimento mais rápido de raízes como cenouras e beterrabas. A condição de redução da umidade do solo observada no início da semana levou os produtores a realizarem alguma irrigação, principalmente em áreas com implantação recente de sementeiras ou mudas mais sensíveis a fim de garantir o bom desenvolvimento inicial das plantas.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, em Rosário do Sul, a colheita de bergamota se aproxima da fase final, chegando a 90% dos 325 hectares cultivados; a área remanescente está em fase de maturação. A colheita de laranja alcança 30% dos 352 hectares plantados. Em São Gabriel, dos 22 hectares de pomares de laranja, 35% foram colhidos.

Na região de Ijuí, as bergamotas maduras foram danificadas pelas geadas, que causaram murchamento da casca e da polpa e queda dos frutos. Contudo, na cultivar Montenegrina, não foram observados danos. Os produtores dão continuidade à poda dos pessegueiros, que apresentam boa emissão floral e formação de ramos produtivos. As videiras se encontram em período de dormência. A adubação dos pomares de pêssego e de videira já foi realizada. Prossegue o manejo das plantas de cobertura de solo, visando à melhoria das condições operacionais nos pomares e ao controle de formigas.

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