10, mar, 2026
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Segunda estimativa da Safra 2025/2026 aponta efeitos da ausência de chuvas na produção de grãos no RS

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A segunda estimativa da Safra de Verão 2025/2026 divulgada pela Emater/RS-Ascar aponta uma redução de 7,1% na produção de grãos no Rio Grande do Sul, que deve alcançar 32,8 milhões de toneladas. A projeção inicial, divulgada em agosto de 2025, estimava a produção de 35,3 milhões de toneladas. Essa redução se deve às chuvas insuficientes e irregulares, principalmente nos períodos críticos de desenvolvimento das culturas, especialmente a soja, e em algumas situações agravadas por dias muito quentes.

Os dados foram apresentados pelo presidente da Instituição, Claudinei Baldissera, nesta terça-feira (10/03), durante o tradicional Café da Manhã com a Imprensa, realizado na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.

Na soja, a estimativa atual indica produção de 19 milhões de toneladas, redução de 11,3% frente às 21,4 milhões de toneladas projetadas inicialmente. Além da falta de chuva, fatores como a redução de 1,7% da área projetada inicialmente, dificuldade de emergência devido às baixas temperaturas e umidade, assim como problemas de acesso ao crédito que também contribuíram para essa redução em produção.

No feijão primeira safra, a produção passou de 46 mil toneladas para 41 mil toneladas, queda de 11,6%. Para o feijão segunda safra, a estimativa caiu de 16,3 mil toneladas para 11,6 mil toneladas, redução de 28,6% na produção, impulsionada pela perspectiva de estiagem, que aumenta o risco para o cultivo e também pelo preço pago ao produtor.

O arroz, com área de 891.908 hectares estimada pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), deve alcançar 7,7 milhões de toneladas, volume 3,1% menor do que as 8 milhões de toneladas previstas na estimativa inicial, devido à redução da área cultivada estimulada pelo risco considerando o aspecto do mercado.

Em relação à estimativa inicial divulgada em agosto de 2025, o milho grão, terceira área mais cultivada no Rio Grande do Sul, apresentou aumento na projeção. A produção passou de 5,7 milhões de toneladas para 5,9 milhões de toneladas, crescimento de 3%. O crescimento se deve ao aumento da área cultivada com o grão, que passou de 785 mil hectares para 803 mil hectares, crescimento de 2,3%. Fatores como o acesso às políticas públicas como os programas Irriga+ RS e Milho 100% também contribuem para o aumento da área cultiva e da produção.

Já o milho silagem apresenta redução de 6,9% na produção. O maior fator é devido à área que reduziu em 5,7% e na produtividade que deve ficar 1,3% menor, representando 968 mil toneladas a menos. No total, o milho silagem deve produzir 13 milhões de toneladas.

“Os dados que foram apresentados a partir do levantamento da Emater/RS-Ascar apontam uma revisão para baixo, em relação à estimativa inicial dos dados apresentados lá no início da safra, na Expointer. De modo geral, todos os grãos cultivados no Rio Grande do Sul, a estimativa inicial era o Estado colher 35 milhões de toneladas. Se tem uma revisão, e a estimativa é de colher quase 33 milhões de toneladas em todos os grãos. E é claro que tem municípios, assim como regiões, com perdas muito acentuadas, superiores a 50%, e se analisarmos pontualmente produtor a produtor, se tem produtores que as perdas são muito grandes e eventualmente podem até inviabilizar a colheita e que os prejuízos são muito grandes”, analisa o presidente Claudinei Baldissera.

“Os dados apresentados pela Emater mostram o impacto da estiagem na produção e a dificuldade que muitos produtores estão enfrentando. Por isso temos defendido uma solução mais ampla para o endividamento no campo, com a securitização das dívidas, para que o produtor volte a ter acesso a crédito e consiga financiar as próximas lavouras. Ao mesmo tempo, precisamos resolver o passado e preparar o futuro do agro gaúcho, ampliando a irrigação e investindo em políticas que reduzam a dependência do clima”, destacou o vice-governador Gabriel Souza.

O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Edivilson Brum, afirma que a redução da produção de grãos em relação à projeção inicial é reflexo principalmente das condições climáticas que impactaram o desenvolvimento das lavouras em diferentes regiões do Estado. “Mesmo assim, quando comparamos com o ano passado, observamos um crescimento na produção. Os números também refletem as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais, ao longo dos anos, como o endividamento. Apesar de todas as dificuldades, o uso de tecnologias e práticas adequadas de manejo são essenciais para garantir a produtividade e renda”, ressaltou Brum.

“O trabalho da Emater nos permite chegar na ponta, em cada um dos produtores rurais, com as políticas públicas e programas do Estado. Um exemplo é o Programa Milho 100%, que já alcançou cerca de 40 mil produtores em 447 municípios com a distribuição de sementes, que se reflete nas boas perspectivas para a produção de milho na safra atual. Além disso, estamos executando o maior programa de recuperação de solos da história do Rio Grande do Sul, o Operação Terra Forte, que chegará a 15 mil famílias com análise de solo, apoio para aquisição de nutrientes e acompanhamento técnico da Emater, contribuindo para aumentar a produtividade e enfrentar melhor os desafios climáticos”, afirma o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim.

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