08, mar, 2026
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Produtores ajustam estratégias diante da previsão de La Niña

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Há menos de um mês da entrada oficial do verão no hemisfério sul, a agricultura brasileira redobra a atenção. Neste mês de novembro, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) emitiu um aviso oficial indicando a configuração do fenômeno La Niña no Pacífico Tropical e sua incidência nos próximos meses, devendo atuar de forma fraca nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, especialmente sobre as culturas de soja e milho, que concentram as principais fases do ciclo produtivo nesse período.

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Segundo o extensionista rural da Emater/RS-Ascar, o meteorologista Nórton Franciscatto de Paula, o índice ENOS (El Niño – Oscilação Sul) continua indicando valores negativos, o que caracteriza a persistência da fase fria (La Niña) durante os meses de verão 2025/2026. A expectativa é que essa condição inicie a transição para a neutralidade entre janeiro e março de 2026.

Historicamente, esse cenário está associado à redução das chuvas sobre o Rio Grande do Sul, especialmente nos meses de janeiro e fevereiro. Essa deficiência hídrica afeta diretamente o armazenamento de água no solo, podendo comprometer o desenvolvimento das culturas de verão, como soja, milho e feijão, com consequente diminuição da produtividade agrícola.

ESTIAGEM

No Rio Grande do Sul, a incidência do fenômeno La Niña deve ocorrer em dezembro e janeiro e, apesar da previsão de períodos de estiagem e estresse hídrico, não deverá causar impacto significativo nas lavouras de grãos, uma vez que aproximadamente 70% da área de milho já foi semeada, restando pouca margem para ajustes no calendário agrícola.

Para o extensionista rural da Emater/RS-Ascar, engenheiro agrônomo Alencar Rugeri, o impacto de uma possível estiagem sobre o milho pode ser um pouco maior, pois o sistema de polinização e germinação é diferente do da soja.

Para a soja, entretanto, há alternativas eficazes de enfrentamento ao estresse hídrico. Segundo Rugeri, o plantio escalonado segue como estratégia essencial no enfrentamento dos riscos climáticos, sobretudo em anos de variabilidade maior. A técnica permite que a lavoura apresente diferentes estágios de desenvolvimento, com demandas hídricas distintas, reduzindo a possibilidade de perdas generalizadas.

Rugeri destaca que o conhecimento antecipado sobre as informações climáticas é um recurso valioso para o produtor, mas as boas práticas de manejo continuam sendo fundamentais para atravessar períodos de irregularidades nas chuvas. “O importante é ter a informação precisa para formular estratégias e tomar decisões diante dos desafios”, destaca, ao ressaltar que a base para uma lavoura resiliente é um tripé: solo bem estruturado, boa cobertura vegetal e rotação de culturas.

PLANEJAMENTO E MANEJO FAZEM A DIFERENÇA NO CAMPO

Com a chegada de mais um verão, marcado por incertezas climáticas, produtores reforçam a vigilância e ajustam estratégias para mitigar riscos e preservar a produtividade no campo. Na propriedade de Emerson Walter, em Catuípe, na Região Noroeste do Estado, o planejamento tem protagonismo no enfrentamento de quaisquer condições climáticas. A propriedade utiliza mão de obra familiar e contratada e produz soja, milho, trigo e aveia. “Há quatro décadas, trabalhamos com controle pluviométrico na propriedade e nos empenhamos em melhorar a estrutura do solo”, destaca.

Walter ressalta que, por sua propriedade estar localizada em uma área com declives, a adoção de técnicas de irrigação, associadas à utilização de cobertura de palhada, à rotação de culturas (utilizando mix de culturas, de inverno e de verão) à correção da acidez do solo e à utilização de curvas de nível nas lavouras, tem se mostrado a melhor alternativa para que o solo tenha uma estrutura melhor e maior proteção. “Investir na estruturação do solo é proteger o bem maior da propriedade”, conclui.

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